Público: Estudantes de Medicina, Biomedicina, Enfermagem & Residentes
Pré-requisito: Anatomia Cardíaca Básica
Objetivos: Compreender componentes, fases e manejo clínico da CEC
John Gibbon sonha com uma máquina coração-pulmão após ver paciente com embolia pulmonar fatal
Gibbon realiza a 1ª CEC bem-sucedida em humano – correção de CIA (18 anos de pesquisa)
Popularização do oxigenador de bolha e desenvolvimento das bombas de rolete
Oxigenadores de membrana substituem o de bolha – menos trauma sanguíneo
Circuitos miniaturizados, revestimentos biocompatíveis, ECMO, monitorização cerebral em tempo real
A Circulação Extracorpórea (CEC) é uma técnica que substitui temporariamente as funções do coração e dos pulmões durante cirurgias cardíacas, desviando o sangue para um circuito externo que realiza oxigenação, remoção de CO₂, controle de temperatura e retorno do sangue oxigenado ao paciente.
O Perfusionista (Biomédico, Enfermeiro ou Médico com habilitação específica) é o profissional responsável por:
Venosa: Drena sangue do átrio D / cavas por gravidade (com ou sem vácuo). Tamanho: 24–28 Fr.
Arterial: Retorna sangue oxigenado para a aorta ascendente distal. Tamanho: 20–24 Fr.
Câmara rígida que coleta o retorno venoso. Contém filtros de espuma e debris. Nível mínimo seguro: ≥ 200 mL.
Rolete: Compressão peristáltica do tubo. Oclusiva, fluxo constante. Pode criar pressão negativa.
Centrífuga: Força centrífuga. Pré-carga dependente. Menos trauma. Preferida em ECMO.
O oxigenador de membrana usa fibras ocas de polipropileno (Ø 100–200 µm, poros 0,03 µm) para separar o sangue do gás:
| Sweep Gas | Efeito no pCO₂ | Efeito no pH |
|---|---|---|
| ↑ Aumentar | ↓ Diminui | ↑ Alcalose |
| ↓ Diminuir | ↑ Aumenta | ↓ Acidose |
| Ratio 1:1 | Normal (35–45) | 7.35–7.45 |
Posicionado antes do oxigenador para evitar embolia gasosa por supersaturação:
Diferença de temperatura água-sangue > 10°C pode causar embolias gasosas por supersaturação e dano cerebral!
Causa mais comum: acúmulo de plasma (plasma breakthrough). Sinais: pO₂ caindo apesar de FiO₂ alta e boa sweep gas.
CEC segura, continuação normal
Investigar causa, preparar condutas
Ação imediata! Risco de embolia aérea!
Ar entra na linha arterial → embolia gasosa maciça → parada cardíaca e dano cerebral irreversível em segundos.
Montagem e amorsamento (priming) do circuito com solução cristaloide + heparina
~60 min antes
Heparina 300–400 UI/kg IV. TCA alvo: ≥ 480 seg antes de iniciar
5 min
Arterial (aorta), depois venosa (átrio D/cavas). Conexão ao circuito
5–10 min
Fluxo pleno (2.4 L/min/m²). Pinça aórtica. Cardioplegia. Hipotermia conforme protocolo
30 min – 4h
Reaquecimento, despinçamento aórtico, retomada função cardíaca, redução gradual do fluxo
15–30 min
Protamina (neutraliza heparina), decanulação, aferição da hemostasia
10–15 min
Volume: 1.000–1.500 mL de cristaloide (Ringer Lactato) + heparina 3–4 UI/mL
Causa hemodiluição: hematócrito cai 8–12%. Vantagem na hipotermia (reduz viscosidade).
Pinça aórtica: Para circulação coronariana
Cardioplegia hipercalêmica: Pára o coração em diástole, reduzindo demanda metabólica em 95%
Hipotermia: Cada 10°C ↓ reduz metabolismo ~50%
| Parâmetro | Normal CEC | Se Alterado |
|---|---|---|
| pO₂ (art.) | 150–400 mmHg | ↓ Verificar FiO₂, fluxo gás, oxigenador |
| pCO₂ | 35–45 mmHg | ↑ Aumentar sweep gas; ↓ Reduzir sweep |
| pH | 7.35–7.45 | Acidose: verificar fluxo, lactato, bicarb |
| SvO₂ | > 65% | ↓ Aumentar fluxo ou FiO₂ |
| Lactato | < 2 mmol/L | ↑ Hipoperfusão, isquemia |
| K+ | 3.5–5.0 | Cardioplegia eleva K+ – monitorar! |
Heparina não-fracionada é o anticoagulante padrão.
Causa: reservatório vazio, conexão solta, entrada de ar.
Conduta: Parar bomba → Trendelenburg (cabeça para baixo) → Remover cânula aórtica → Purgar aorta → Perfusão Retrógrada Cerebral → Hipotermia profunda
Alta pressão de linha + baixo retorno venoso + hematoma visível.
Conduta: Parar CEC → Clampar linhas → Reconectar em sítio alternativo (femoral) → Cirurgia de emergência
TCA < 400 seg: risco de trombose no circuito.
Conduta: Heparina bólus, verificar antitrombina III, considerar reposição.
As 4 categorias de complicações na CEC:
Divida a turma em grupos de 3–4. Cada grupo recebe um cenário diferente para resolver. Cronometrar a resposta e comparar pontuações. Discussão em plenária ao final.